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14/03/2018

   

Consumo responsável do material escolar

Fabricante investe em matérias-primas renováveis e estimula a discussão sobre a origem dos materiais

Cada vez mais as responsabilidades individuais e coletivas em relação ao meio ambiente vêm sendo debatidas e exercitadas nas escolas. Em tempo de volta às aulas, questionar as crianças e adolescentes sobre a origem dos materiais que utilizam no dia a dia pode gerar um bom início de diálogo com eles.


A Mercur, indústria que atua nos setores de educação e saúde, promove mudanças constantes em seus produtos. A empresa busca promover uma educação para a vida e, progressivamente, utilizar matérias-primas renováveis em substituição às não renováveis na natureza em seus produtos. Para isso, realiza pesquisas e promove diálogos com a sua rede de relações sobre as formas de ser e estar no planeta, considerando sempre o bem-estar, que se traduz como “um mundo de um jeito bom para todo o mundo”.


Márcia Murilo, pedagoga da empresa, comenta que a organização despertou para o fato de que rodas de conversa com as crianças, que oportunizem reflexões a respeito do dia a dia delas a partir de suas vivências, podem ser eficientes para falar sobre sustentabilidade. “Uma postura do adulto em questionar, provocar, mostrar e colocar as crianças em situação de resolução de problemas reais, para que consigam trazer suas ideias e transformá-las em ação e opinião, pode ser um grande aprendizado para todos”, ressalta.


Borracha e giz de cera com propósitos extras


Em 2011, a Mercur iniciou um projeto com um grupo multifuncional cujo desafio era desenvolver um produto com composição que empregasse, predominantemente, insumos renováveis e com menores níveis de emissão de GEE (gases de efeito estufa). A decisão foi por experimentar mudanças na composição de um ícone da companhia: a borracha de apagar.


Daí surgiu a Borracha Lado B, que possui em sua composição cerca de 49,28% de matéria-prima renovável, enquanto as demais borrachas possuem apenas 12,9%. Ela é composta por cinzas de cascas de arroz – que foram queimadas para produzir combustível visando à geração de energia elétrica – em substituição a materiais não renováveis, que tradicionalmente integram a formulação das borrachas de apagar.


A cinza da casca do arroz é um resíduo sem utilização posterior, inclusive sem função para aplicação no meio ambiente, ou seja, após transformada em cinza, a casca não possui outro uso possível. A quantidade de cinzas utilizada para compor a Borracha Lado B é muito menor do que o volume de resíduos gerado no processo de transformação dela em energia, então a produção da borracha não estimula a queima da casca de arroz para atender à demanda da empresa, mas sim amplia as possibilidades de uso.


Consolidando a postura responsável em sua produção, a Mercur modificou a composição do giz de cera. A parafina (componente derivado do petróleo), que não se regenera na natureza, foi substituída pelas ceras vegetais, matéria-prima que se renova ao seu tempo. Dessa maneira, o giz de cera da Mercur passa a ser 80% renovável, o que causa muito menos impacto no meio ambiente. Além disso, o consumidor também é beneficiado com a mudança, pois o giz passa a oferecer maior facilidade de transferência de cor para o papel.


Que movimento é esse?


Mas e você, sabe o que são recursos renováveis e não renováveis? Hoje todos os produtos da Mercur possuem fontes renováveis e não renováveis, nenhum é 100% só de um ou de outro. Os renováveis são os que, como diz o nome, se renovam ou se regeneram após serem utilizados pelo homem, como as florestas, o solo, a luz do sol e a água.


A bióloga Elisa Orlandi, que é professora na plataforma Biologia Total, alerta que ser renovável não significa que podemos usar sem preocupação. “Por exemplo, o ciclo da água, o movimento que ela faz na natureza é circular e permanente, passando de um estado para outro, mas se for poluída, apesar de renovável, não poderá mais ser utilizada por nós”, explica.


Já os não renováveis são aqueles que, se retirados da natureza pelo homem, não se regeneram, como o ferro, o ouro e o petróleo. “Uma dificuldade que temos com os alunos é trabalhar esta ideia de que tudo que compramos “consome a natureza”. Eles são muito ligados ao que está na moda, e isso faz parte da necessidade de se sentirem inseridos em um determinado grupo e, em nome disso, consomem muitos recursos naturais: trocam de celular todos os anos, compram muitos produtos que logo deixam de ser do seu interesse e não refletem sobre a origem desse produto, o que foi utilizado para ele ser produzido. Materiais escolares com essa pegada podem ser aliados na nossa prática pedagógica. Assim, conseguimos trabalhar esta questão de repensar os hábitos de consumo e motivar a busca por um modo de vida o mais sustentável possível”, ressalta.

 

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