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05/10/2018

   

Inovação versus eficiência

A eficiência operacional, tão importante para o crescimento de qualquer negócio, pode ser um dos assassinos da inovação.

A tecnologia virou commodity. Ferramentas e algoritmos que há poucos anos pareciam obra de ficção científica agora estão disponíveis a qualquer um que esteja disposto a explorá-los. Por meio dessas tecnologias, que hoje demandam baixo investimento, e com um modelo de negócio acertado, é possível alcançar uma enormidade de mercado.


O surgimento de novos gigantes “do dia para a noite”, habilitados por essas novas tecnologias, tem servido de inspiração para empresas de todos os portes, ramos e idades. A ordem parece ser quase que unânime para todas: é preciso inovar! Esse é o mote da disrupção, termo abrasileirado do inglês disrup, que descreve inovações que oferecem produtos diferenciados e um novo modo de alcançar os consumidores, desestabilizando empresas até então líderes em seus segmentos.


O processo disruptivo atinge todos os setores e, impulsionado pelas novas tecnologias, acontece muito rápido. Quem não se atentar a este momento e não estiver disposto a fazer bom uso das ferramentas tecnológicas, vai perder mercado para outros. É o que ocorre no varejo, com a presença da Amazon; nos transportes, com o Uber; ou na hotelaria, com o Airbnb. O campo dessa batalha é global.


Apesar de a maioria dos empresários entender o momento atual, poucos se mostram preparados para realizar as mudanças no ritmo necessário. Existe uma ignorância – no sentido real da palavra – sobre como inovar. Cada um tenta fazer do seu jeito e, em geral, isso não funciona. A disrupção, portanto, precisa começar na estrutura da organização. A mentalidade eficiência operacional, tão importante para a sobrevivência e para o crescimento de qualquer negócio, pode ser um dos assassinos da inovação. Quando se fala de tecnologia disruptiva, fala-se em tentativa e erro e, em uma empresa focada em eficiência a qualquer custo, não existe tolerância ao erro (ou ela é muito baixa). É aí que, geralmente, a administração da companhia sufoca os colaboradores.


Quase toda empresa surge de uma oportunidade em que a inovação é necessária ou fará a diferença. Em geral, quando essas empresas crescem, precisam manter o foco na eficiência. É, neste momento, que muitas acabam perdendo a habilidade de inovar. Isso ocorre de forma incremental e quase imperceptível, pois o desconforto original que levou à busca pela inovação se transforma em um desconforto operacional em busca de eficiência. Mas, neste mundo, não é apenas a eficiência que vai garantir a sustentabilidade, a rentabilidade e a perenidade dos negócios no futuro.


Por: Domingos Monteiro

 

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