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01/01/2012

   

Promessas de ano novo para as papelarias

Você fez sua lista de planos e metas para este ano? E para o seu negócio, em que vai investir? Se ainda não decidiu, veja o que os papeleiros comentam sobre as cinco principais sugestões dadas pelos consultores entrevistados pela Revista da Papelaria.
Apesar da enorme diversidade que é o varejo brasileiro, especialistas indicam quais devem ser os destaques do novo ano. Cada empresário tem as metas para o seu negócio, mas, a partir de estudos, análises e eventos internacionais, especialistas indicam as tendências que devem predominar no varejo em 2012.


Tecnologia para informação
O investimento em sistemas que permitem controle das vendas e do faturamento deve ser uma das maiores preocupações do varejo, o que caracteriza a profissionalização do mercado.
Para Eduardo Terra, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar), a instalação de softwares é conseqüência da soma entre a popularização da informática e o encarecimento da mão de obra. “Com a tecnologia está cada vez mais barata e o encarecimento da mão de obra, os sistemas reduzem a necessidade de funcionários contratados. Esta combinação é apresentada como solução para a falta de profissionais disponíveis no mercado”, explica Terra.
Este será a primeiro volta às aulas da Papelaria Dunorte (Cuiabá/MT) após a implantação dos leitores de código de barras. “Espero agilizar o atendimento neste período de grande movimento”, conta a proprietária, Iara Nunes.
Karine Constantini e Vander Constantini são proprietários da Master Paper (Florianópolis/SC), que já possui um software implantado que auxilia os empresários no dia a dia. Porém, o casal tem como um dos planos para 2012 trocá-lo: “Nosso atual sistema não nos dá todo o controle que achamos necessário.” Algumas vantagens deste recurso são listadas por Karine – controle de estoque, fluxo de caixa, cadastro de produtos, facilidade de responder orçamentos.
Em Flórida Paulista (SP), Mauro Koga Junior, está em uma situação semelhante: “Pretendo investir nesse tipo de tecnologia porque nosso controle atual de vendas e faturamento fornece resultados sintéticos e precisamos de informações mais completas organizadas por produtos, datas e margem de lucro”, detalha o proprietário do Bazar Cruzeiro.


Tecnologia para vender melhor
Agradar os consumidores é o principal objetivo dos investimentos em venda pela internet. “Não só online, como pelo celular”, sugere Maurício Morgado, pesquisador de mercadologia do Centro de Excelência em Varejo da FGV-EAESP. Ele acredita que essa tendência será propiciada pela popularização de tablets e aplicativos para aparelhos celulares.
“A venda dessa maneira facilita a vida de quem compra. Mesmo dentro de um estabelecimento, o consumidor pode comparar os preços daquela loja com os da concorrência e decidir o que levar”, explica Morgado. O especialista conta que esta tendência foi muito comentada na última edição da Retail´s Big Show, evento internacional do mercado varejista. “Sem dúvida, essa expectativa vale para o Brasil. Nas papelarias, acredito que isso será mais forte entre aquelas que atendem o mercado corporativo”, afirma.
É o caso da Foco Papelaria e Livraria (Brasília/DF), cujo proprietário, Emerson Almeida, acredita que o as empresas são clientes mais exigentes. Por isso, ele pretende reverter mais recursos para este segmento depois desta volta às aulas. “Quero investir em telemarketing e vou procurar vendedores com uma boa carteira de clientes”, conta.
Colocar o site no ar e começar a vender online está entre os projetos de Karine e Vander para a Master Paper. Enquanto o plano não for colocado em prática, os sócios encontraram uma alternativa para atender os clientes mais conectados: “Atualmente, nosso trabalho, fora a venda no balcão, é a parceria com algumas empresas cadastradas, que realizam seus pedidos pro e-mail, podendo retirá-los na loja ou recebê-los pelo nosso serviço de entrega”, afirma Karine.


Treinamento de equipe
Segundo Maurício Morgado, esta prática vem sendo aplicada no varejo de maneira relevante há cerca de cinco anos e deve ser mantida também em 2012. “Não tem por que os empresários pararem de investir nos funcionários. O mercado tem muita rotatividade de colaboradores, e a necessidade de repor a equipe faz com que seja preciso oferecer cursos constantemente”, analisa Morgado.
A escassez de mão de obra faz com que a quantidade de profissionais qualificados também seja menor, como aponta Eduardo Terra: “Como há menos gente capacitada disponível, é preciso ensinar as funções aos trabalhadores”. Ele defende que é preciso investir na equipe de maneira ampla, tanto no que se refere a gestão quanto a profissionalização.
Karine e Vander acreditam que a equipe de trabalho precisa ter a cara da loja e valorizam o aperfeiçoamento tanto dos funcionários como dos proprietários. “Colocamos a confiança em primeiro lugar. Por isso, é muito importante o treinamento das pessoas que escolhemos para trabalhar conosco”, opina a proprietária da Master Paper. Os empresários revelam que também têm planos para se aperfeiçoarem. “Conhecemos a prática, sabemos como vender, comprar... Porém, temos dúvidas teóricas em relação à parte financeira. Queremos entender melhor questões relacionadas a nota fiscal e impostos, por exemplo. Ano passado, também tivemos dificuldades em calcular comissão das vendedoras e horas extras”, revela Karine.
Mauro Koga concorda com essa atitude: “O proprietário deve se aperfeiçoar sempre, pois funcionários bem treinados devem ser comandados por pessoas aptas e empreendedoras.” A capacitação é uma das prioridades de Koga: “O funcionário mal treinado pode perder a venda e o cliente”, alerta.


Gerenciar capital e estoque
Segundo o gerente de acesso a mercados e serviços financeiros do Sebrae, Paulo Alvim, o comércio está entrando em um processo de restrição internacional. Para sobreviver, se sustentar e competir com eficiência, ele acredita que os fatores mais importantes são comprar bem e gerenciar capital de giro e circulação de mercadoria. “Uma boa maneira de colocar isso em prática é observar o desempenho dos concorrentes, analisando como eles se portam em cada situação”, sugere Alvim.
Em 2011, Fátima Gomes, proprietária da EG Papeis (Santana/AP), passou por dificuldades relacionadas à administração do negócio. Então, um de seus objetivos este ano é quitar as dívidas com os fornecedores e evitar esse tipo de obstáculo novamente. “Tenho consciência da importância de pagar essas contas e busquei orientação do Sebrae para me ajudar”, revela a empresária.
Os proprietários da Master Paper consideram que a parte financeira é uma das tarefas mais difíceis de um negócio e levantam uma questão: “Acredito que ter muito produto em estoque é dinheiro parado e, consequentemente, prejuízo. Ao mesmo tempo, penso que precisamos ter mercadoria para pronta entrega em maior quantidade, principalmente para atender empresas, que é nosso maior projeto”, explica Karine.
A ideia de atender ao mercado corporativo também surgiu na procura de soluções para fazer o faturamento da empresa aumentar. “Estamos na fase de adquirir um pouco de tudo com boa qualidade, fazendo os produtos girarem. No começo, sem muito capital para investir, é preciso dar um passo de cada vez, sem compras muito grandes, tendo um mix de produtos que agrade a grande maioria do público.”, analisa.
Itamar Amperssan, proprietário da Papelaria e Encadernação Apolo (Pato Branco/PR) quer incrementar e diversificar seu mix de produtos de informática, que já conta com mouses, teclados e cartuchos, devendo ser aumentado com a inclusão de altofalantes e microfones, por exemplo. “Não adianta ter pouco material. Quanto mais produtos, mais vendas”, acredita o empresário, que está esperando a volta às aulas passar para adquirir um depósito e armazenar esses produtos separadamente.


Reforma na loja
Ano passado, Silvia Hennies, proprietária da Papelaria Baeza (São Paulo/SP), começou as melhorias em sua loja, instalando o aparelho de ar condicionado e câmeras de segurança. Os planos continuam e, em 2012, o prédio deve ser pintado logo após o período de volta às aulas.
A tendência é que muitas lojas de varejo passem por mudanças visuais em 2012. “Reforma é um dos principais objetivos dos empresários este ano, e acredito que isso incentiva o investimento em atendimento também. Pois não adianta melhorar por fora se os funcionários não forem de qualidade”, comenta Maurício Morgado.
Itamar Amperson também já reservou o recurso para mudar a fachada da Papelaria e Encadernação Apolo. “Eu tinha esse projeto e tenho um bom relacionamento com o banco para conseguir investir”, conta o empresário, que também pretende pintar o prédio em 2012.
Mauro Koga diz que a frente da Bazar Cruzeiro também precisa de uma modernização: “O marketing visual, como uma vitrine bem montada, é o que impulsiona o cliente a entrar na loja.” A mesma necessidade está presente na Papelaria Dunorte. A proprietária só não sabe quando as alterações serão colocadas em prática: “Está planejado para 2012 e estamos fazendo orçamento para a reforma da fachada, mas não sabemos se dará tempo de executar antes do movimento de volta às aulas”, conta Iara.
Já na Master Paper, 2012 começou com o pé direito após as recentes mudanças listadas – e comemoradas - pela proprietária Karine: “Como compramos a loja há pouco tempo, nossa primeira tarefa foi trocar a placa - que estava apagada - por uma maior, iluminada, que chama a atenção de quem passa. Também alteramos a disposição dos móveis, melhorando a circulação na loja e a visualização dos produtos. Pintamos as paredes e trocamos a iluminação. Foram pequenos detalhes, feitos aos poucos, e que, no final, deram um ótimo resultado, sem grandes gastos.”
Para manter o melhor ambiente na loja, ela diz que faz o básico que agrada a qualquer pessoa: “Todos nós gostamos de um ambiente agradável, harmonioso, limpo, iluminado, organizado. Então, tentamos manter a loja sempre assim.”


Reportagem de Carolina Berger

 

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