Revista da Papelaria

Início » Notícias / Varejo » Viver de presente: papelarias aderem aos gifts

28/08/2014

   

Viver de presente: papelarias aderem aos gifts

Empresários apostam em artigos variados para enfrentar mercado em expansão e mais competitivo

Não se faz mais papelarias como antigamente. E isso é muito bom. Em um mercado cada vez mais disputado, os empreendedores desse setor apostam na diversificação dos produtos oferecidos tanto para se manterem ativos quanto para conquistar novos clientes e consumidores. Por meio da venda de produtos, como brinquedos, calçados, bichos de pelúcia ou jogos para adultos, as empresas mostram uma nova tendência: a venda de presentes, os chamados gifts, as transformam em minilojas de departamento.
“Vendemos pelúcia, nécessaires, conjuntos de copos, almofadas, jogos alcoólicos. O segredo é o mix. Estamos trabalhando muito por temas (de corujas a caveiras). O pessoal leva uma pelúcia de caveira e acaba levando uma bolsa e uma nécessaire. A pessoa entra para comprar um artefato e acaba levando mais itens do mesmo tipo”, explica o sócio da carioca Papelaria Magu, Roberto Cota.
Cota afirma que trabalhar com portfólio diversificado torna a rentabilidade do negócio, localizado na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, ainda maior. Além disso, permite um poder de alcance e fidelização do público-alvo mais efetivo. “É muito melhor trabalhar com gifts porque a rentabilidade é maior devido ao valor agregado dos produtos, que encantam o consumidor. E o que o cliente acha em uma loja não acha em outra devido à variedade de fornecedores e de itens disponíveis”, garante.
A questão do valor agregado parece ser um ponto central nessa tendência de transformação do setor. A gerente de marketing e produto da Papel Craft, Juliana Mussel, deixa clara a importância da qualidade na experiência de consumo dos clientes.
“Hoje nosso foco principal é ter produtos atrativos em termos de design e estampas exclusivas, justamente buscando transformar os produtos cartonados em objetos de desejo que possam virar presentes”, define. Essa experiência não diz respeito apenas aos produtos em si, mas também envolve o momento no qual as compras são realizadas nas lojas.


Diversificar é preciso
Se existe unanimidade entre os representantes das papelarias, esta é a necessidade intrínseca de diversificação dos produtos oferecidos aos clientes. A oferta de presentes dos mais variados tipos é tida até mesmo como essencial em um mercado que, se mantido estático, é fortemente afetado pela sazonalidade escolar no início e meio do ano, com as voltas das férias.
“Nós já iniciamos como uma pequena loja de departamento. No nosso caso, não teríamos sobrevivido tanto tempo e passado da fase mais aguda. A diversificação foi ditada pelo próprio mercado da região. Se tivéssemos nos mantido como papelaria, a loja não existiria mais”, conta o proprietário da curitibana Gift Papelaria e Presente, Sérgio Eisseld.
O foco no mercado escolar ainda é o carro-chefe da Gift, mas Sérgio sabe e admite que depender apenas de um momento do mercado é muito pouco para manter um empreendimento. Assim, ele explica a necessidade de variar o que é oferecido a seu público, majoritariamente formado por moradores de Cajuru, bairro de 90 mil habitantes que fica na zona leste da capital paranaense, oferecendo nas prateleiras artigos como calçados, material esportivo e até mesmo eletrodomésticos.
“Nosso forte é o volta às aulas. Temos parcerias com colégios ao redor, o que nos dá um bom movimento nessa época do ano. No restante, os outros setores sustentam a loja. Nosso segundo segmento de atividade é o de calçados”, define.
A Papel Craft também dá atenção especial às linhas de acessórios. Segundo Juliana Mussel, esse tipo de oferta é essencial para um público “cada vez mais versátil, exigente e cheio de informações”.
“Nos últimos anos, expandimos também nossa linha própria de bolsas e acessórios em couro e em tecidos estampados. A categoria vem crescendo significativamente, e esses itens também ocupam papel importante na hora de o cliente presentear. Além da nossa linha de produtos desenvolvidos internamente, contamos com produtos comprados de terceiros, como objetos de decoração, que também têm venda significativa, principalmente em eventos como Dia dos Namorados, Dia das Mães e Natal”.


Cliente satisfeito é cliente fiel
Uma extensa lista de produtos à disposição pode até atrair clientes. Mas, para formar público fiel que permita não só manter um negócio como também expandi-lo, a qualidade no atendimento é apontada como protagonista nesta relação entre as papelarias e o público.
“Nosso público é formado por mulheres, jovens e adolescentes, moradoras da Tijuca. A maioria é mulher. Não adianta tentar vender para alguém de outro bairro se as pessoas da localidade não estiverem satisfeitas”, esclarece Roberto Cota.
E quando se menciona o atendimento ao cliente, não se fala apenas em vendedores sorridentes oferecendo todo o tipo de produto (queira o cliente ou não). As lojas explicam que a relação com os compradores é mais ampla, e se trata de tornar a experiência de realizar uma compra no PDV algo agradável, que suscite tanto a vontade de retornar ao estabelecimento quanto de espalhar a qualidade para amigos e familiares, criando um efeito de divulgação espontâneo.
“Nosso atendimento é ponto forte na hora de agradar os clientes. Treinamos nossos vendedores para que entendam e consigam atender a todas as expectativas de nossos clientes no momento da compra. Outros pontos, como o ambiente da loja, nossa iluminação e embalagens também nos tornam especiais. A experiência de compra é muito diferenciada”, diz.
Esse foco na experiência do ato de comprar um presente nessas papelarias especializadas tem o objetivo claro de fazer frente a uma concorrência que vem se tornando cada vez mais ampla e feroz. Assim, se manter como referencial de variedade de produtos e atendimento especial assegura uma posição privilegiada ante essa crescente expansão. “Vitrines e coleções que mudam de 15 em 15 dias também fazem parte da estratégia. A oferta é bem grande e buscamos sempre atender nosso público”, afirma Juliana.


Quem inova, cresce
Vender presentes é cada vez mais comum entre as papelarias brasileiras, principalmente nas grandes cidades. A crescente pressa que permeia o cotidiano faz com que a procura pelo máximo número de produtos seja realizada no mínimo de lugares possível. Desse modo, a criatividade dos empreendedores também assume um ponto central na
eterna “seleção natural” do mercado. Para vencer as grandes redes varejistas, cuja quantidade de compras as torna grandes players, a inovação é a arma das papelarias.
“Grandes redes focam em material de escritório. E não há como competir, porque eles compram em massa. Então, nossa alternativa é pensar com criatividade”, admite o sócio da Magu.
O cenário do mercado e a saída encontrada são as mesmas, seja no Rio de Janeiro, seja em Curitiba. O proprietário da Gift também define as grandes redes como o adversário não a ser combatido, mas a propor novas saídas para o empreendimento.
“A concorrência cresceu com a abertura de um shopping. Lidamos com isso com criatividade e o tratamento diferencial aos clientes”, define Sérgio. A ampliação do papel das papelarias (com o perdão do trocadilho) está a pleno vapor. Iniciado em meados dos anos 1990, esse movimento de expansão modificou a atuação de empresas que, até então, tinham a função específica de fornecer materiais escolares ou para escritórios. E, em um mercado cuja presença de grandes varejistas não necessariamente implica no fim dos pequenos e médios empreendimentos, a satisfação do cliente é a chave para que essas empresas.
“Não precisa ter medo de concorrência. Procure trabalhar melhor, atender melhor seu público e se manter atento às novidades”, sugere Roberto Cota.


 

 

< Anterior | Próxima >