Revista da Papelaria

Início » Notícias / Negócios » Tempo de mudar

03/05/2016

   

Tempo de mudar

Especialista em Recursos Humanos fala sobre mudança atual no mundo dos negócios, reflexo da ebulição social, política e econômica do país

O país vive uma verdadeira ebulição social, política e econômica. Desde então, a palavra “mudança” não sai da boca do brasileiro e é evocada para os mais diferentes temas, seja para o sistema político, para a relação do homem com a natureza ou mesmo para a maneira como as pessoas se relacionam nas grandes cidades. “Todo esse clamor popular acabou se refletindo no mundo dos negócios”. É o que explica Ubirajara Kojirol, diretor comercial da empresa de Recursos Humanos Benefício Certo, na entrevista a seguir.


Como você relaciona o atual momento crítico brasileiro com o mundo empresarial?
O que acontece é o seguinte: contagiados por novas ideias que vêm emergindo das ruas e das redes sociais, os consumidores fazem novas exigências antes de adquirir um produto, querendo saber sobre a sustentabilidade da produção ou sobre a idoneidade da empresa. E não é só. Os funcionários também se influenciaram pelos novos tempos e passaram a questionar velhos dogmas, colocando em xeque a antiga visão de que um bom salário é mais do que o suficiente para aceitar ou permanecer em determinado emprego.


Diante desse cenário, qual é o papel das empresas?
Cabe às empresas identificar o fenômeno e estabelecer os ajustes necessários para se adequar a essa pós-modernidade, em que a valorização do ser humano, aliada aos conceitos de sustentabilidade e responsabilidade social, vem ditando as regras do jogo.


Na prática, como isso funciona?
Em primeiro lugar, a ideia do funcionário vem dando lugar ao conceito do colaborador. Mais do que um exercício dialético, a troca de nomenclatura representa o fato de que os profissionais não desejam apenas trabalhar para alguém, mas, sim, com alguém. Eles querem que suas ideias e sugestões sejam ouvidas de forma que possa colaborar com o desenvolvimento da companhia e se sentir útil à engrenagem corporativa. O mesmo serve para os patrões, que perdem a função de chefes para se tornarem líderes de equipes que se espelharão em seus exemplos e boas práticas para exercer suas atividades.


Quais outras iniciativas mostram a transformação dos novos tempos dentro das empresas?
Em suma, é a demanda por subsídios para que os colaboradores se sintam felizes com o que fazem. Aí entram os benefícios, mas não apenas aqueles regidos pela lei, como vale-refeição. A companhia que oferecer programas de desenvolvimento de carreira e de participação nos lucros se tornará muito mais atrativa à maioria dos profissionais, principalmente se unir a isso vantagens mais imediatas, como vale-alimentação e vale-combustível. Algumas apostam, ainda, em ações mais controversas, como a criação de um ambiente corporativo descontraído, em que são abolidos os horários fixos e atividades de lazer dentro da própria empresa. Videogame e mesas de bilhar, por exemplo, passam a ser sinônimo de estímulo à produtividade.


Essa mudança tem impacto nas vendas?
Fator importante dentro do atual contexto é conquistar o consumidor não apenas com produtos ou serviços de qualidade, mas também com exemplos de boas práticas. Se as empresas querem realmente estar antenadas às transformações da sociedade, implementar programas de responsabilidade social e de sustentabilidade são passos obrigatórios a fim de ganhar a simpatia de uma parcela maior da população, algo que impacta diretamente as vendas e a atração e manutenção dos profissionais. As mudanças estão batendo à porta e cabe às companhias se perguntarem que papel desejam exercer no novo cenário: o de agente inovador e símbolo dos novos tempos ou de bastião de velhos hábitos.


"As mudanças estão batendo à porta e cabe às companhias se perguntarem que papel desejam exercer no novo cenário"

 

< Anterior | Próxima >