Revista da Papelaria

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20/07/2017

   

Proteção e estilo

Aquecimento das vendas de smartphones abre espaço para papelarias trabalharem o vasto mix das capinhas de celular

Após dois anos de fraco movimento, os smartphones apresentam expectativa de crescimento para 2017. A boa fase desse produto abre espaço também para as papelarias, que podem lucrar com vários acessórios complementares – entre eles, as variadas capinhas se destacam. E os números mostram que o consumidor brasileiro está realmente investindo nesse gadget.


Nas papelarias, foi possível sentir o reflexo do crescimento de aparelhos nas vendas das capinhas. Segundo Juliana Mussel, gerente de marketing da Papel Craft, no Rio de Janeiro, a categoria apresentou um grande boom nos últimos cinco anos, acompanhando em 2016 o decréscimo nas vendas de celulares. Com a perspectiva de retomada de crescimento no mercado de aparelhos, a tendência é que as capinhas voltem a se destacar. Atualmente, os números da 27ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, realizada pela FGVSP (Fundação Getúlio Vargas de São Paulo), indicam 168 milhões de smartphones em uso no país. Além disso, de acordo com o instituto de pesquisa IDC Brasil, o brasileiro tende a trocar de celular a cada dois anos e tem gastado cada vez mais: a presença dos dispositivos de entrada, até R$ 700, apresentou queda, representando 44% do mercado; em contrapartida, aparelhos de R$ 700 a R$ 1.300 subiram para 44%, com os 12% restantes destinados a aparelhos acima de R$ 1.300.


Se o brasileiro está gastando mais com seu celular, então é preciso protegê-lo também, já que muitos carregam nos bolsos gadgets que podem ultrapassar a casa de R$ 2 mil. Para esse tipo de consumidor, as capas têm uma função primária de proteção.


Nesse quesito, os consumidores têm desde opções mais arrojadas e com menor interferência, protegendo as partes mais delicadas que são as laterais, às mais elaboradas, que garantem até proteção debaixo d’água (veja box com os tipos de capas). Em geral, clientes de celulares mais caros optam por essa última opção, muito embora as películas protetoras de telas tenham boa aceitação nas diversas faixas de aparelho.


Se as opções são muitas no segmento de proteção, quando o assunto é design e estilo a variedade é infinita. Esse mercado apresenta grande oferta de fornecedores, pulverizados em diversos modelos de negócios: importações chinesas, personalização com designers, produtos licenciados, clubes com assinatura mensal. Essa variedade é muito interessante para a papelaria, que pode procurar fornecedores que mais se adéquem a seu porte.


Grande adepto das capinhas, o jornalista Arthur Rosa confessa que a escolha pela capa não se resume à proteção. Para ele, uma boa estampa supera a questão do preço. “Atualmente, estou mais contido com a compra de capinhas, mas costumo comprar duas ou três capas a cada dois meses, em média, e uso uma capa nova no celular a cada mês. No passado as coisas eram um pouco diferentes – cheguei a ter um total de 42 capinhas diferentes, que eram compradas aos montes em sites chineses, e usava uma diferente por semana”, conta.


Para Fábio Matecki, diretor do Faça Sua Capinha, esse mercado é bastante competitivo e está em constante crescimento. “Temos diversas linhas de capas, como personalizadas, onde o cliente pode colocar a imagem que desejar, coleções próprias com designers e artistas parceiros, e licenciados da NBA, Hello Kitty e Capcom, com os quais mantemos uma linha exclusiva, que é nosso carro-chefe na venda para os varejistas”, diz.



De olho no mix


Uma peculiaridade de se trabalhar com capinhas de celular é a grande pulverização desse mercado. O cliente tem a sua disposição uma infinidade de opções para realizar suas compras, sejam elas físicas ou on-line.Assim, o planejamento do seu mix deve ser bem elaborado para não ficar com produtos encalhados.


O primeiro ponto a se destacar desse mercado é a intensa concorrência. No ambiente on-line, há inúmeros sites de venda de capinha, além de marcas tradicionais que trabalham com esse produto. Quando se coloca ainda nessa conta os importados, principalmente chineses, a concorrência fica mais intensa. Outro segmento que cresceu bastante foram as franquias de venda de capinhas, muito presentes em quiosques de shopping centers e centros de comércio.


“As compras on-line são sempre em grande quantidade. Ela é boa porque o acervo de produtos em exibição é muito maior e existem muitas promoções, mas essa facilidade tem um preço: o frete! O bom da loja física é que você já sai na hora com o produto, e ainda tem a vantagem de poder experimentá-lo. O ruim, nesse caso, fica pela limitação que muitos estoques das lojas possuem, pelo deslocamento e, por muitas vezes, as lojas físicas não possuírem uma constante atualização dos seus estoques, ficando com muito material ‘fora de moda’ e pouco atrativo”, conta Arthur.


Com toda essa concorrência, o planejamento para a papelaria deve ser bem acertado – principalmente na exposição da loja. Fábio Matecki sugere a exposição próxima aos caixas. Para as papelarias que não têm um trabalho direcionado a esse produto, esse tipo de exposição chama a atenção do cliente em um momento crucial. Em setores da loja, as capinhas podem entrar por focos temáticos, como setor geek, de telefonia ou de gifts e design.


“Nas lojas da Papel Craft, concentramos todas as estampas e dividimos por modelo de celular na parte de produtos de papelaria para um público mais jovem. Além dessa exposição centralizada, também colocamos as capinhas expostas nas bancadas principais, compondo coleção junto com outros produtos com a mesma estampa”, explica Juliana Mussel.


Outro ponto importante é a diversidade de modelos, pois nada adianta ter uma estampa que agrade ao cliente, mas que não seja do modelo de seu celular. Uma estratégia interessante é apostar nos modelos mais conhecidos. Na Faça sua Capinha, os modelos de celular mais famosos são os mais procurados nas lojas físicas (iPhone 6, iPhone 7, iPhone 7 Plus, Galaxy S7 e Moto G4), enquanto a loja virtual apresenta uma busca mais diversificada (Asus Zenfone 3, Moto G5, iPhone 7, Quantum Go e Xperia Z5).


Muitas das empresas que trabalham com quiosques também atuam na revenda. É o caso da Cellairis. “Trabalhamos, em média, com pedidos acima de R$ 2 mil, com um giro semanal de produtos, ou seja, no período de
sete dias para o produto chegar ao nosso estoque central e voltar para os clientes. Há também a possibilidade de instalação de um stand ou mobiliário na loja com nossa identidade visual e produtos”, explica Arthur Carrli, analista de marketing da Cellairis Brasil.


Em geral, as empresas trabalham com um markup de 2 ou 3, como indica Fábio Matecki. Mas, em alguns casos, esse índice pode até aumentar com um trabalho de promoção de vendas. “As vendas aumentam no Natal por conta de presentes e também no período de volta às aulas, porque combinamos as estampas com cadernos, fichários e mochilas. O giro é de 170 capas de celular por mês e o markup já chegou a 4. Hoje, está em torno de 1,5 a 2, pois estamos liquidando”.

 

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