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07/08/2017

   

60 anos da Jandaia

Crescimento sustentável, com origem em sábias lições do patriarca e no empenho da família, constrói seis décadas de uma empresa. Esse é o caso da Jandaia

De acordo com pesquisa do Sebrae, as empresas familiares representam 90% do total das companhias brasileiras. As estatísticas indicam que, de cada 100 fundadas no Brasil e no mundo, apenas 30 sobrevivem à segunda geração; 15, à terceira e quatro, à quarta, sendo um dos grandes desafios a questão sucessória. Além disso, mantê-la em ascensão é uma importante barreira a ser vencida.


O setor de papelaria tem bons exemplos de empresas familiares que cresceram ao longo do tempo e são motivo de orgulho para o país e para a região em que se localizam. Nesse seleto time, exemplo que merece destaque é a Jandaia. Essa marca tão conhecida do universo papeleiro completou 60 anos de trajetória, tem margem de crescimento médio de 25% nos últimos três anos, é líder na exportação de caderno e faz parte do Grupo Bignardi, maior fabricante brasileiro de papel reciclado para impressão e escrita, maior distribuidor do papel Chamex no Brasil e grande parceiro da International Paper (IP).


“A história da Jandaia sempre se pautou pela figura do meu pai – uma pessoa muito correta, uma probidade a toda prova, muito responsável e que sempre demonstrava sua seriedade e compromisso com o jeito certo de comandar”, pontua Ivan Bignardi, responsável pelo setor industrial, de marketing e comércio exterior. Ao lado dos irmãos, Beatriz e Ricardo, compõe a segunda geração da família à frente do negócio, que conta também com a terceira geração, formada pelos netos Thiago e Danilo.


 “Em virtude dessa cultura implantada desde o início, a empresa sempre se conduz por ações corretas, dá um passo do tamanho que pode, se responsabiliza por cada ato e nunca deu saltos aventureiros. O crescimento foi contínuo, às vezes não extremamente veloz, mas em 60 anos conseguiu, realmente, evoluir, ser reconhecida e se aproximar de empresas que comunguem dessas mesmas características, como a IP”, afirma o diretor.


São seis décadas de existência, e o hábito permanece: o patriarca da família e fundador da empresa, José Bignardi, dá expediente todos os dias e é o primeiro a chegar. “Não é o último a sair, mas está quase lá”, ressalta Ivan. Aos 86 anos, Sr. José – homem forte, com espírito empreendedor ainda latente e um espelho e estímulo para todos – controla pagamentos, é responsável pela tesouraria da empresa e participa das decisões estratégicas da companhia. Está sempre disposto a colaborar nas (muitas) vezes em que é consultado.


De 300 para 32 mil toneladas


Tudo começou em 1956, numa pequena fábrica, localizada no centro da cidade de São Paulo, na rua Jandaia – daí surgiu o nome da marca. Fabricava impressos gráficos, cadernos e listas telefônicas. Seguindo uma escala ascendente, três anos depois, a gráfica foi transferida para um terreno mais amplo na Vila Guilherme, zona norte da capital paulista.


Em 1972, decisão importante levou a companhia a outro patamar. Sr. José Bignardi adquiriu porcentagem da fábrica de papel Gordinho Braune, localizada em Jundiaí, também em São Paulo, e, logo depois, a participação dos outros sócios. Enquanto isso, na Vila Guilherme, a demanda da Jandaia aumentava, mas havia dificuldades nas operações por estar situada em local de zoneamento misto. As residências no entorno impediam atividade noturna, e o lugar, como um todo, não tinha mais área para fomentar investimento.


O então recém-formado em engenharia de produção, Ivan Bignardi, entrou efetivamente na empresa em 1986 para contribuir no projeto de construção da fábrica da Jandaia na cidade de Caieiras/SP. A mudança foi feita em 1987 e gerou grande salto nas capacidades produtivas, assim como a inserção de novas atividades. “Quando a empresa foi transferida de São Paulo para Caieiras, a capacidade produtiva era de 300 toneladas por mês e fazia 2 mil toneladas por ano. Hoje tem volume real produzido de 32 mil toneladas por ano. Cresceu mais de 15 vezes”, contabiliza o diretor industrial.


O segundo ciclo de investimento mais intenso foi em 1994, com a aquisição de equipamentos que triplicou a capacidade produtiva. O período foi desafiador comercialmente para conseguir escoar a recente escala de produção, mas superado com a criação de novas linhas de produtos. Em meados de 2006, foi definida estratégia mercadológica para inserir itens de maior valor agregado, o que tornou os produtos mais atrativos e justificou mais uma onda de crescimento.  “Dobramos a capacidade e, mais uma vez, superamos um momento desafiador”, revela o filho caçula de José Bignardi.


Jandaia – que hoje não  é mais razão social e, sim, marca – está presente, atualmente, em oito países da América Latina e exporta itens que produz para grandes marcas no Hemisfério Norte. A internacionalização faz parte da estratégia da empresa para que a Jandaia seja mais reconhecida fora do país. “Chegaremos lá”, afirma Ivan.


Caderno pelo Brasil


A pesquisa Painel de Consumo, apresentada pela consultoria Nielsen em maio deste ano, apontou que 42% das famílias trocaram marcas caras por mais baratas em 2016, sendo essa a saída número um para adequar o consumo à crise. A estratégia da Jandaia, em 2017, de acordo com o diretor industrial, foi acrescentar novas propriedades para que a participação não caísse. Com isso, conseguiram manter a receita.


A empresa sexagenária entende que, dentro de um cenário no qual o consumidor está mais exigente, a marca tem que ser relevante e entregar não apenas um ótimo visual, mas também experiência vivida pelo consumidor. Quando a Jandaia entrou no segmento de licenças, o mercado já era dominado por outras empresas, o que a fez buscar propriedades “fora da caixa” e novas oportunidades. A solução encontrada foi entrar mais forte no life style, com marcas como Bad Boy, Eco, Coca-Cola – bastante relevantes até hoje. A iniciativa abriu portas e novas licenças foram gradativamente somadas.


Atualmente, os cadernos Jandaia estão em mais de 8 mil pontos de vendas pelo país, sendo que 75% desse total se destina a papelarias, inclusos os atacadistas, e os outros 25% para empresas de autosserviço. Segundo Ivan, esse tipo de empresa não desempenha tão bem a função como as papelarias, que oferecem diversas soluções de uma só vez. E por falar nisso, o Atacado Jandaia é o outro braço de sucesso do Grupo Bignardi e conta com duas lojas em São Paulo, além da venda on-line.


A quarta geração da família, depois da fundação da empresa, já está aí, mas o que vai definir a entrada é, antes de tudo, a manifestação desse desejo e a vontade de vir preparado para acrescentar. “Hoje estamos muito mais estruturados e não há necessidade de ‘catapultar’ nenhum familiar, pelo contrário. Requisitamos mediante disponibilidade e competência de cada um”, fala, com sabedoria, Ivan Bignardi. E é com esse espírito munido de sensatez, responsabilidade e com um olhar sempre à frente que a Jandaia seguirá adiante em sua trilha de sucesso para o orgulho do Brasil.

 

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