Revista da Papelaria

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13/10/2017

   

Esferográficas valem muito

Modelos produzidos no Brasil são destaque no cenário mundial

Artigo tão comum e indispensável no dia a dia, a caneta esferográfica possui um dispositivo simples que a caracteriza. “Ela escreve por meio de uma esfera que fica na ponta. A esfera gira e permite a saída da tinta”, explica Josias Machado, que há mais de 50 anos trabalha com o conserto de canetas no Rio de Janeiro, trajetória sustentada por muita paixão por esse item.


A fabricação desse artigo de papelaria, no entanto, requer máquinas de alta precisão e sólidas placas de aço que sejam muito finas – e a tecnologia brasileira se destaca nessa produção. De acordo com o último teste realizado pelo Inmetro para a categoria com 20 marcas, as canetas de origem nacional escrevem em média 500 m a mais do que as de outras procedências. Foram avaliadas 5 brasileiras, 13 chinesas, 1 japonesa e 1 malaia.


Paralelamente, quando se compara preço por capacidade de escrita, os resultados são alarmantes, pois para escrever, por exemplo, dez mil metros, o consumidor brasileiro está pagando, em média, seis vezes mais pela caneta importada. Em resumo, o resultado do teste concluiu que as diferenças encontradas na análise entre as amostras das canetas nacionais e as importadas, principalmente da China, são prejudiciais aos consumidores.


Por aqui, os fabricantes fazem investimentos contínuos em pesquisas e desenvolvimento. “Todos os itens que compõem o produto passam por uma série de testes, desde a tinta, passando pela esfera de tungstênio e corpo ergonômico, até os demais componentes e tecnologias utilizados na produção da melhor caneta do mercado”, afirma Emerson Cação, diretor de marketing da BIC Brasil. No país, estão três fábricas: no Rio de Janeiro (RJ), em Cajamar (SP) e em Manaus (AM). Outra prioridade, segundo ele, é o desenvolvimento de novas cores, com o objetivo de sempre oferecer grande variedade ao mercado.


Aspecto importante para a qualidade da caneta é a maciez na escrita. Enquanto as chinesas são “ásperas” – segundo pronunciamento do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, feito em rede nacional de televisão no começo deste ano, lamentando o fracasso na produção de boa qualidade de caneta –, as fabricadas no Brasil vão no sentido oposto. “O segredo do sucesso é que são muito confortáveis na hora da escrita, e a tinta é de excelente qualidade”, comenta Tamy Marins Perazzolo, supervisora de marketing da Pentel.


Tradição e qualidade


Além da qualidade dos produtos, as fabricantes sempre buscam trazer inovações, seja na parte estética ou nos itens que compõem a caneta. Faber-Castell inova mais uma vez com o lan- çamento da Ice 061, esferográfica com tinta semigel e corpo translúcido colorido, que possibilita a visualiza- ção da ponteira metálica. A escrita fina e a tinta semigel proporcionam experiência que alia conforto e alta precisão. Além disso, possui proteção interna de silicone na tampa, garantindo maior durabilidade do produto.


Já a Paper Mate, dona das esferográficas da linha Kilometrica, trouxe o primeiro grip emborrachado para os modelos, a primeira caneta apagável e também a que escreve de cabeça para baixo, de acordo com Eduardo Gomes Toledo, responsável pelo marketing da distribuidora Paper Mate no país, a Imex do Brasil. O último lançamento da marca, a Kilometrica 100 ST WRAPS, vem com estampas divertidas e é sucesso de vendas.


Com relação à apresentação, as canetas podem ser classificadas em quatro tipos diferentes: simples, retrátil, infantil e grip – que possui uma borracha na parte na qual se pega, aumentando o conforto durante o uso. Essas diferenciações na forma de apresentação podem alterar o preço, pois agregam valor ao produto, mas o mercado continua dominado pelo modelo simples. Ao longo desse tempo, o consumo das esferográficas não apresentou queda. “A esferográfica continua bem consumida porque é a mais versátil. Pode escrever em diversos lugares, no papel comum, em cima de papel carbono e em muitas outras superfícies”, ressalta o caneteiro Josias Machado, que alerta para alguns cuidados. “O principal cuidado é evitar a queda. Não deixar cair no chão porque pode amassar o bico e impedir que a carga saia, além de sempre proteger da água e do calor”.

 

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