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Do primeiro rabisco até o bê-a-bá…

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Indústrias investem em pesquisa de consumo para anunciar as apostas de cadernos para 2019

Lá nos anos de 1980, os versos de Toquinho e Mutinho anunciavam: “sou eu que vou seguir você do primeiro rabisco até o bê-a-bá…”. “O Caderno” não é só o nome de um clássico da música brasileira, mas também um produto que não pode faltar na lista do volta às aulas. Seja grande ou pequeno, colorido ou neutro, grosso ou fino, os consumidores esperam encontrar as tendências e novidades internacionais também no modelo escolhido. Afinal, de acordo com os empresários da área, caderno também é um artigo de moda.

São tantas as possibildades para capas, diagramações, estilos que a fabricante Jandaia criou, há cinco anos, um processo de pesquisa e criação chamado Jandaia Lab. O laboratório – como o próprio nome sugere – é um ambiente de pesquisa e criação, com o objetivo de anunciar com antecedência as tendências de consumo pelo mundo. De acordo com o gerente de marketing do Grupo Bignard, responsável pela Jandaia, Fabricio Pardo, o projeto reúne especialistas em marketing, design gráfico, moda, tendências de consumo e ilustradores que desenvolvem os cadernos a partir da união de informações coletadas com base em feiras internacionais e pesquisa de parceiros de licenciamento.

Para Fabricio Pardo, a produção de cadernos necessita de antecedência para agradar os públicos da melhor maneira possível e garantir a efetividade do produto. “O caderno é um acessório de moda, e a gente precisa ficar antenado e saber o que está na cabeça do consumidor. O Jandaia Lab busca saber a cor, o estilo, as marcas e os grupos de influência perfeitos e, por isso, conseguimos lançar coleções mais assertivas”, destaca.

A eficiência do projeto se confirmou, por exemplo, no lançamento das capas da franquia Angry Birds. O sucesso ainda não tinha sido anunciado, mas o grupo de profissionais envolvidos garantiu o licenciamento, e a Jandaia saiu na frente com um dos líderes de venda de cadernos do ano.

A escolha perfeita!

O desafio não é apenas das indústrias na hora de confeccionar os produtos, muito pelo contrário. As opções são praticamente infinitas e, por isso, as papelarias precisam se preparar para obter sucesso nas vendas. A tradicional Livraria Leitura está no mercado desde os anos 1960, tem lojas espalhadas por todo o Brasil e é referência na variedade de opções de cadernos.

O sócio-gerente da rede, Gustavo Abreu Teles, explica que o processo de seleção preza três diferentes quesitos: a força da licença, a beleza e o preço. “Trabalhamos com três possíveis públicos para selecionar os cadernos: o consumidor que busca uma licença fortalecida na cabeça dele, aquele que não liga para o personagem, mas preza a beleza, repara em detalhes e boa qualidade, e o terceiro, que busca um preço mais acessível com cadernos simples, porém sempre com uma qualidade de diagramação e impressão”, explica.

A loja também analisa o comportamento dos clientes, que, em relação ao caderno, costuma ser de maioria feminina. Levando em conta apenas aos exemplares de 96 folhas, a rede de livrarias seleciona uma média de 90 modelos femininos e outros 40 voltados para o público masculino. “A mulher não costuma usar o mesmo caderno em dois anos consecutivos, e o homem nem liga, ou seja, ela consome muito mais. Para o público infantil e infantojuvenil, a mãe e a filha vão juntas para escolher o material e, por outro lado, o filho nem sempre faz questão de ir. A menina quer ter o caderno como artigo de moda, mostrar a personalidade dela”, afirma Teles.

A estudante do 9º ano do ensino fundamental Maria Eduarda Costa é uma dessas consumidoras mirins. Ela faz questão de acompanhar as compras de volta às aulas com a mãe desde pequena e procura as capas com o licenciamento que mais combinam com a personalidade dela. “Escolho a capa com a minha cara, que mostre os meus gostos!”, afirma a estudante de 14 anos. Apaixonada por cinema, desenhos animados e cultura pop, as capas da franquia Star Wars, Mulher-Maravilha, ambos produzidos pela Jandaia, e do desenho animado Pica-pau, fabricada pela Foroni, foram as escolhas de 2018. “Mal posso esperar pelas novidades de 2019! Antes de começar as compras, já estou pesquisando nas redes sociais o que cada papelaria oferece de opção para mim”, completa.

As tendências do momento

A Livraria Leitura também produz linhas próprias de caderno e, para isso, também busca analisar o que é tendência no mercado de papelaria. Para 2019, a ideia é manter as apostas consideradas fixas estáveis, mas também partir de pesquisas internacionais para as novidades. “A grande aposta do ano que estar por vir é a lhama! Ela vem para substituir a obsessão dos unicórnios, que foram sucesso de vendas nos últimos anos”, enfatiza.

Capas inspiradas em grandes cidades do mundo também nunca saem de moda na rotina do estudante de jornalismo Johanns Eller. O universitário é apaixonado por Nova York e, por isso, foi a capa escolhida para o segundo semestre de 2018. Mas não é só a beleza que atrai a atenção dele na hora de escolher o modelo perfeito. “Sou bem metódico na seleção do caderno de cada semestre da faculdade. Analiso não só se a capa me agrada, mas também a grossura do papel e a diagramação das páginas. As linhas não podem ser muito escuras, as páginas não podem ter muitos detalhes e precisam ser agradáveis ao olhar”, analisa.

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