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Varejo Volta às Aulas

Drible na crise e crescimento à vista

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Apesar da crise econômica brasileira, papelarias de todo o país se organizaram diante da nova realidade do consumidor e aguardam por manutenção, mas também por crescimento nos negócios no volta às aulas 2019

A conjuntura econômica do Brasil permanece retraída, e o período de volta às aulas 2019 é aguardado com um misto de cautela e otimismo, organização e muito trabalho por parte das papelarias. “As expectativas são boas. Temos crescido, em média, 10% ano a ano e, para o próximo volta às aulas, estamos apostando nesse mesmo índice”, afirma Ricardo Reis, proprietário da Dallas Papelaria, de Cuiabá (MT). A proprietária da Papel Design, papelaria da capital de São Paulo, Arlene Barmak, espera por percentual parecido. “Minha expectativa de crescimento é de 5% a 10% no período”.

Papelaria Papel Design
Na capital paulista, a Papel Design espera um crescimento entre 5 a 10%, em relação ao volta às aulas deste ano.

ESTRATÉGIA
“Melhoramos nosso sistema de vendas e atendimento ao cliente e fechamos novos parceiros. Acreditamos que bom preço aliado ao bom atendimento é o tempero para o sucesso”


Luiz Fernando Delfial, da Art Nova

Há papeleiros que aguardam um crescimento comparativamente alto no volta às aulas 2019. O Luiz Fernando Delfial, proprietário da Art Nova, de Londrina (PR), espera um acréscimo de 30% comparado a 2018 e explica: “Estamos otimistas mesmo em tempo de crise! Trabalhamos nisso desde abril, melhoramos nosso sistema de vendas e atendimento ao cliente e fechamos novos parceiros. Acreditamos que bom preço aliado ao bom atendimento é o tempero para o sucesso”, opina.

Papelaria Art Nova
Otimismo em tempo de crise. Em Londrina, a Art Nova trabalha para conquistar 30% de aumento nos negócios, em relação 2018.

Há também os que aguardam o período com uma previsão mais cautelosa. “Nossa expectativa é de manutenção dos números de 2018, com reposição dos índices de inflação”, analisa Dinaldo Teixeira Junior, diretor comercial do Grupo Grafitte, de Governador Valadares (MG). O sócio-proprietário da Letras em Festa, de Bertioga (SP), Carlos Manoel dos Santos, tem a mesma avaliação. “Eu prevejo estabilidade. Nem menos, nem mais, o mesmo movimento de 2018. A gente analisa pelo faturamento do ano. O volta às aulas é um mero reflexo disso”.

Papelaria Grafite
Cautelosa, na Graffite, de Governador Valadares, Minas, a previsão é que o movimento do volta às aulas seja capaz de repor perdas da inflação

Para Daniel Braga, sócio-administrador da Papelaria MEC, de Juiz de Fora (MG), a expectativa é que, após a definição do cenário eleitoral, o mercado estabilize e o consumo volte a dar sinais de aquecimento. “Notamos, nas duas últimas temporadas de volta às aulas, uma mudança no hábito de compra. Ao ter o poder aquisitivo diminuído, o consumidor resolveu experimentar marcas que ainda não conhecia, atraído por preços mais competitivos e/ou estampas de criação própria do fabricante”, Daniel avalia e continua. “Ainda há espaço para os produtos licenciados, mas as estampas alternativas vêm ganhando força impulsionadas por temas como unicórnios, lhamas e sereias. A indústria vem sabendo aproveitar essas tendências, criando designers próprios sem onerar tanto o custo final do produto”. Daniel Braga prevê crescimento de 5% a 7% na Papelaria MEC no volta às aulas 2019.

Papelaria MEC
A Papelaria Mec, em Juiz de Fora, aposta num crescimento entre 5 a 7% para o próximo volta às aulas.

PRODUTOS
“Ainda há espaço para os produtos licenciados, mas as estampas alternativas vêm ganhando força impulsionadas por temas como unicórnios, lhamas e sereias. A indústria vem aproveitando essas tendências, sem onerar tanto o custo final do produto”

Daniel Braga, sócio-administrador da Papelaria MEC

Célio Rossoni, sócio-proprietário da Livraria Independência e presidente da Rede Clip, de Porto Alegre (RS), acredita que haverá crescimento no volta às aulas 2019, mas nada muito significativo. E aconselha os colegas do ramo. “Apesar da retração econômica, o mercado, os clientes e a demanda por produtos continuam existindo. Cabe a nós, empresários, encontrarmos a forma capaz de atrair para nossas lojas este consumidor que está, mais do que nunca, atento e qualificado a valorizar seu dinheiro, buscando o que o mercado oferece de melhor e pelo menor custo”.

Papelaria Rede Clip
Célio Rossoni, presidente da Rede Clip,de Porto Alegre, acredita na estabilidade nos negócios para o volta às aulas 2019.

CONTRATAÇÃO DE PESSOAL EXTRA
“O hábito de consumo do brasileiro não nos permite agir de outra forma. Temos que nos preparar para atender a toda a demanda em um reduzidíssimo espaço de tempo. As vendas ocorrem, na sua maior parte, nas duas últimas semanas que antecedem o início do ano letivo”

Célio Rossoni, da Rede Clip

Preparação para o volta às aulas!

Em relação à compra de produtos e preparação do estoque para o período mais aguardado pelo mercado, cerca de 70% das papelarias com quem conversamos já compraram mais da metade do que será necessário para o volta às aulas 2019. A Rede Clip, por exemplo, comprou 60%, e a Letras em Festa, de Bertioga (SP), algo em torno de 70%. “Comecei a fazer compra do volta às aulas em abril e já compramos cerca de 80%. As novidades chegam rápido pelos representantes. Também percebemos tendências pela internet”, afirma Luiz Fernando Delfial, da Art Nova.

A Grafitte, em Minas Gerais, tem mais de 15 filiais e já comprou todo o estoque para o período. “Começamos as negociações desde março e, como atuamos como atacadista, a venda é antecipada e, logo depois do Natal, já temos que repor nossas lojas com todos os produtos escolares”, explica Dinaldo Junior.

Algumas papelarias estão mais cautelosas com compra de materiais para o período. A Dallas Papelaria, de Cuiabá (MT), comprou somente 20% do seu estoque, e a Papelaria do MEC, de Juiz de Fora (MG), cerca de 40%. “Estamos mais cuidadosos nas compras, esperando um pouco mais na expectativa de uma redução de preços ou ajuste de tabela dos fabricantes. Estamos atentos também a lançamentos e tendências que ainda não se concretizaram”, afirma Daniel Braga.

Papelaria Dallas
Nos últimos anos, a Dallas Papelaria tem crescido 10% a cada volta às aulas no mercado em que atua em Cuiabá.

Mão de obra temporária

A maior parte dos empresários contrata funcionários extras para o período de volta às aulas. “O hábito de consumo do brasileiro não nos permite agir de outra forma. Temos que nos preparar para atender a toda a demanda em um reduzidíssimo espaço de tempo. As vendas ocorrem, na sua maior parte, nas duas últimas semanas que antecedem o início do ano letivo”, explica Célio Rossoni, da Rede Clip, completando: “A contratação de pessoal extra é importante para ajudar a dar consistência no atendimento nesse grande momento”.

VISÃO
“Apesar da retração econômica, o mercado, os clientes e a demanda por produtos continuam existindo. Cabe a nós, empresários, encontrarmos a forma capaz de atrair para nossas lojas este consumidor que está, mais do que nunca, atento e qualificado a valorizar seu dinheiro”

Célio Rossoni, da Rede Clip

A Art Nova, de Londrina (PR), costuma contratar de 12 a 15 pessoas no período, e a Dallas Papelaria, de Cuiabá (MT), emprega, em média, 30 colaboradores temporários, entre vendedores, caixas, seguranças, entregadores e analistas de crédito. “Sempre fazemos as contratações temporárias a partir do mês de dezembro para poder treinar a equipe. Triplicamos nosso quadro de funcionários até o mês de fevereiro para podermos atender da melhor maneira nossos clientes”, explica Daniel Braga, da Papelaria do MEC. Já a Letras em Festas, de Bertioga, tem 27 anos e não costuma fazer contratações extras no período. “Não damos férias e, para ter maior eficiência, nossos funcionários fazem hora extra no volta às aulas”, explica Carlos Manoel dos Santos.

Papelaria Letras em Festa
Estabilidade também é a expectativa da papelaria Letras em Festa, de Bertioga, São Paulo.

Parcerias e promoções

A Art Nova Papelaria faz uma ação especial no volta às aulas. “Colocamos todo o estoque exposto num espaço com 200 metros (meu estacionamento vira loja por 45 dias). É um atendimento não convencional. Colocamos cama elástica e um espaço especial para as crianças brincarem. Assim, os pais têm tranquilidade para comprar. Em 2017, recebemos 1.200 pessoas e, em 2018, foram cerca de 5 mil. Em 3 anos, tivemos um crescimento de 430%”, afirma Luiz Fernando Delfial. Além dessa ação, a papelaria de Londrina (PR) também tem parceria com 60 escolas. “No nosso site estão as listas das escolas parceiras, e o nome da nossa papelaria vai na lista de material escolar. Eu me especializei em entender o que a escola quer para fazer uma lista de material perfeita”, conta. A Art Nova também faz promoção com produtos, principalmente cadernos, da coleção anterior e vai sortear, no volta às aulas 2019, duas caixas de som da JBL. “Também faço uma campanha social para arrecadar material escolar usado”, completa Luiz Fernando.

O diretor comercial da Grafitte afirma que as promoções são muito fortes nas lojas da marca. “Somos muito agressivos nos preços praticados e compramos em grande quantidade e de forma antecipada para conseguir bons preços na compra. Atuamos também com todos os tipos de mídia: TV, rádios, redes sociais e panfletos. Em nosso site, vendemos para todo o Brasil”, afirma Dinaldo Teixeira Junior.

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