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Artes e artesanato Consumidor

Memórias registradas e organizadas

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Com os smartphones e redes sociais, fotografar e expor as imagens é algo fácil; difícil é organizar a grande produção fotográfica e selecionar o que deve ou não ser exposto

Há alguns anos, a seguinte cena era bastante comum: em uma festa ou em uma viagem, pessoas munidas de uma máquina fotográfica analógica escolhiam cuidadosamente o que fotografar. Com a fotografia feita, o dono da máquina ainda precisava tirar várias outras fotos até completar o número de “poses” do filme utilizado.

A revelação das imagens demorava dias e, só depois de prontas, o fotógrafo saberia se as fotos tinham ficado boas ou não. As imagens eram todas guardadas em álbuns, ou em porta-retratos, e eram exibidas a cada visita recebida de amigos ou familiares. Anos mais tarde, as câmeras digitais tomaram o lugar das analógicas. As fotografias passaram a ser expostas na internet, em sites como Fotolog. Com as redes sociais e os smartphones, esse processo mudou: hoje é possível fotografar e divulgar instantaneamente todos os momentos registrados.

O Instagram se tornou uma espécie de álbum digital onde as pessoas podem organizar as imagens e mostrá-las para qualquer um. Diante desse cenário, surge a questão: será que ainda existem pessoas que imprimem fotos e as organizam em álbuns como era feito há algum tempo? Sim. Essas pessoas existem. E não são poucas.

Ambientes decorados

Uma delas é a brasiliense Maria Masella, de 28 anos. Duas vezes ao ano, pelo menos, ela imprime as fotos tiradas com seu celular. Como são muitas, ela seleciona as imagens que mais gosta e, depois de impressas, as expõe em porta-retratos e quadro de fotos espalhados pela casa. “As que eu escolho não expor vão para caixas que têm apenas fotografias. Já as que não são impressas são transferidas para a nuvem e computador mesmo, organizadas por local e data”, comenta.

Maria ainda tem uma câmera fotográfica de revelação instantânea. Para ela, a impressão de fotos é muito mais que manter as memórias mais acessíveis. É também uma maneira de decorar os ambientes de sua casa. “As fotos ficam lindas na decoração. Às vezes imprimo ou uso as da câmera instantânea para presentear amigos também”, explica.

Companhia para os solitários

Larissa Lopes não abre mão de imprimir suas fotos. Seja para organizar em álbuns de scrapbook, seja para expor em paineis, a escritora se sente acompanhada pelos momentos registrados.

As fotografias impressas pela escritora Larissa Lopes têm uma função importante: tornar o seu apartamento um lugar mais aconchegante e lembrá-la sempre de que ela não está sozinha. Isso porque, há seis anos, Larissa mora na cidade de Dijon, na França. Longe da família e dos amigos brasileiros, as fotografias são uma forma de se sentir menos sozinha e se manter perto daqueles que ela gosta. “Eu, normalmente, organizo minhas fotos em scrapbooks. Neles, eu gosto de guardar os momentos mais importantes da minha vida. Eu já faço isso virtualmente com o Instagram, mas, nos scrapbooks, eu coloco notas pessoais, pequenos objetos (ingressos de shows, por exemplo) para que a lembrança fique ainda mais real. Já as imagens que ficam expostas em meus murais ‘falam comigo’ quando eu preciso de companhia. Elas me inspiram, me motivam e me confortam nos momentos de solidão”, conta.

A escritora é apaixonada por fotos e organização. Por isso, todas a imagens, selecionadas para impressão ou não ficam salvas em HDs externos. “Eu tenho duas memórias externas, então, as fotos são copiadas duas vezes, que é para eu não perdê-las. As recentes ficam no drive do meu celular ou na nuvem até eu ter tempo de organizá-las nos HDs”, conta.

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