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Cartões: clássicos que não saem de moda

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Venda de cartões comemorativos é um mercado de presença e revela considerável índice de lucro para as papelarias

A ideia de que os cartões comemorativos estão aposentados do uso dos consumidores não é uma realidade. O antigo item, aliado no momento de acompanhar um presente ou na hora de fazer uma dedicatória especial a alguém querido, continua sendo procurado nas lojas e mostra que o produto, considerado por muitos uma antiguidade, ainda tem seu charme e espaço no mercado.

A percepção de impessoalidade que a tecnologia proporciona colabora, muitas vezes, para que se pense que antigos hábitos, como dedicar parte do tempo para escrever um cartão, tenha se ausentado da vida das pessoas. No entanto, o índice de vendas apresentado pelas papelarias Art Nit, Jou Jou, Papel Craft e Casa Ribeiro, junto à iniciativa de produção de novas linhas idealizadas pelos fornecedores, provam o contrário.

Segundo as papelarias, o período de celebração de datas comemorativas é onde acontece o auge de vendas, com destaque para o Dia dos Namorados, Dia das Mães, Dia dos Pais e Natal. Contudo, a procura pelo produto não é descontinuada fora dessas épocas. A vendedora Cynthia Alves, da Papel Craft, aponta que as pessoas também procuram por cartões no restante do ano, mesmo que em menor número, e geralmente com propósito de dar uma lembrança para outras ocasiões, como os cartões de celebração de amizade, aniversários, casamentos e outros.

Por outro lado, se o público mais velho é aquele que muitos imaginam como consumidores ativos, a Revista da Papelaria mostra que na prática não é exatamente o que acontece. Assim aponta Fabiana Araújo, vendedora da Art Nit. “Não tem um público específico. Muitos jovens procuram os cartões para dar no Dia dos Namorados, por exemplo. Vem todo tipo de pessoa, homens, mulheres, jovens, mais velhos…”.

Para colecionar com carinho

Polliana Giorgi adquiriu o hábito de dar cartões com a família. A jovem de 20 anos costuma colecionar os que recebe

O hábito de compra de cartões também é uma tendência entre os jovens, caso de Polliana Giorgi, de 20 anos. A jovem, que começou sua história com a troca de cartões a partir de uma tradição familiar iniciada na geração da avó, mantém essa prática em sua vida e prova que o item não ficou no passado. Afinal, periodicamente, envia cartões para seu namorado, família e amigos, além de colecionar todos que recebe. Sobre os seus favoritos na hora da compra, aponta: “Gosto dos mais criativos e com frases que fogem do comum. Não gosto de nada clichê”.

Juliana Sanches atribuiu ao seu vínculo com a escrita o gosto por cartões: “fico frustrada quando não recebo cartões dos amigos”.

Para Juliana Sanches, de 27 anos, a experiência com cartões também começou cedo. Segundo ela, desde pequena sempre gostou de cartões e acredita que o vínculo tenha se manifestado também pelo seu gosto pela escrita. A partir disso, a paixão cresceu tanto que não ganhar cartões de seus amigos e familiares era uma frustração. Conforme os ganhava, reservava um espaço em sua caixinha para guardá-los. Quando perguntada sobre o motivo de ainda fazer uso desse item, já que existem outras maneiras de transmitir uma mensagem, Sanches afirma: “O carinho e a proximidade, por você saber que vai entregar algo para essa pessoa e vai ser eterno (…) Ninguém vai ficar olhando mensagens antigas no celular, mas uma caixinha na sua casa com vários cartões pode sempre relembrar os momentos que você já viveu”.

O que vem por aí…

Danielle Medina, da Tilibra, defende que o uso dos cartões não sai de moda para quem busca exclusividade.

Apesar de não ser considerado um mercado em ascensão, Danielle Medina, gerente de marketing digital da Tilibra, empresa da qual a Grafon’s, é entusiasta: “É um paradoxo na verdade, porque nunca se mandou tanta mensagem como hoje. Mesmo com as redes sociais, as pessoas ainda procuram cartões, porque, eles são um presente único e exclusivo, são diferentes”. Por meio dessa lógica, a marca idealizou uma nova coleção de cartões para dar opções renovadas aos clientes que procuram pelo produto e dão rotatividade ao item.

A linha Para todas as ocasiões, pensada para ser útil em diversos momentos, conta com 60 modelos disponíveis e com variadas opções para cartões de casamento, aniversários e outros. Mais uma novidade é a linha Handmade Beauty, com 48 modelos, que apresenta estilo artesanal, com acabamentos diferenciados e apliques especiais.

Além disso, os modelos considerados genéricos também ganham vez com frases cativantes e um design interessante, com o propósito de ser dado em ocasiões diferentes, como mudança de emprego, aprovação na faculdade, por exemplo. A ideia de trazer envelopes com listras que combinem com o design do cartão e tamanhos maiores pontuam os lançamentos da marca. 

Além de sua linha tradicional, a Teca tem em seu catálogo modelos comemorativos dos 45 anos da Hello Kitty e criações exclusivas da @floriografia

Na fabricante Teca, as novidades ficam por conta dos modelos com criação exclusiva da @floriografia. Além de cartões de signos, há mais opções do modelo de/para com temas variados e uma edição comemorativa dos 45 anos da Hello Kitty. A novidade agora é que a silhueta recortada na forma do cartão faz com que ele fique em pé!

Diante de todo o dinamismo e velocidade do modo de vida atual, os cartões podem ser considerados um resgate de valores ao ser dedicado tempo para ser feito, completa a gerente da Tilibra: “Em tempos de redes sociais, que você pode mandar a mesma mensagem para vários, sair copiando e colando, o cartão se faz único, diferente”. O que vai fazer diferença, no entanto, é como o item será idealizado, sendo aconselhável que haja uma identificação entre o que está sendo dito e um design que chame a atenção dos consumidores.

Uma boa dica para as papelarias, portanto, é em relação a como expor o produto nas lojas. A gerente de marketing digital aconselha a exibição perto do caixa ou em espaços com um considerável fluxo de pessoas, além de também investir em um display organizado que chame a atenção do consumidor. “O ponto é pensar que o consumidor pode não estar na loja para comprar cartões, mas pode vir a se interessar pela forma como será cativado ao olhar o ambiente”, destaca Danielle Medina.

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