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Varejo

Paixão por empreender

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Do interior de São Paulo, a papelaria Baiuca e sua proprietária inspiram automotivação

Uma conversa com a empresária Sara Palma é um choque de ânimo e motivação. A sua papelaria é um espelho disso. Colorida, bem arrumada, alto-astral e cheia de serviços surpreendentes, a Baiuca, com seus variados segmentos, atua há 29 anos em Lençóis Paulista, no centro-oeste do estado de São Paulo, cidade com 80 mil habitantes e a uma distância de 285 km da capital. Sara, que adora atuar como vendedora na loja, avalia que teve muito trabalho e conquistas durante todo esse tempo, mas ainda há inúmeros desafios para superar e ideias para serem colocadas em prática.

“Considero a Baiuca uma filha. Para mim, uma empresa tem que ter alma, envolvimento do dono. Desde os 19 anos eu empreendo, adoro pessoas, oferecer soluções”, conta entusiasmada. O primeiro ne-gócio de Sara foi na garagem de casa, quando ela resolveu usar o dinheiro de uma rescisão trabalhista para, com o então namorado, montar seu pequeno negócio. Entre os itens comercializados estavam rou-pas, papelaria, aviamento, bijuterias e brinquedos. Além deles, as pipas, feitas por ela e pelo namorado, que logo se tornaram a propaganda do negócio. “A molecada começou a espalhar a novidade; a Baiuca corria de boca em boca nas vilas”, relembra. Assim, a loja caiu nas graças da criançada e, por elas, pais e mães foram também se tornando clientes.

“Toda pessoa precisa diversificar
suas atividades, ter outras
conexões, que proporcionam
boas energias, para podermos
jogar no nosso trabalho”
– Sara Palma

Hoje, a Baiuca joga por terra qualquer denotação pejorativa encontrada nos dicionários sobre o significado da palavra baiuca: pequena loja. E o namorado? Ederaldo Andreoli é marido e sócio da Sara e diretor financeiro da Baiuca. Daí a ideia de que a Baiuca é a filha do casal.

Da antiga garagem à atual loja, com cerca de 1.600 m2, foram muitas decisões: investimento em imóveis, aposta em novos endereços, ampliação do mix e muito trabalho. “O que faz dar certo é a sintonia com o cliente, o feedback dele. Me doía o coração ver a população ter que ir a uma cidade vizinha para conseguir adquirir algum produto. Nossa cidade tinha que ser capaz de atender os seus habitantes”, relata Sara, que confessa que, há alguns anos, tinha remorso de se distanciar de sua papelaria. “Procurando co-nhecimento, comecei a fazer vários cursos e, em um deles, entendi que uma empresa para ‘acontecer’ não depende da presença do empresário em tempo integral. Sendo assim, hoje tenho vida pessoal e pro-fissional equilibrada, busco inspiração em outras áreas, não abro mão de viajar, ora por trabalho, ora por lazer. Com essa mudança de comportamento, a inspiração para inovar acontece mais facilmente”, explica.

Hoje, a Baiuca tem um mix bem diversificado, cada um com sua importância em diferentes aspectos. O segmento escolar é importante devido ao volume de negócio que é capaz de gerar; o artesanato é o setor que tem clientes oito horas por dia; com o setor de escritório, a papelaria atende 80% das empre-sas da cidade (inclusive com televendas e serviço de entrega); os artigos de festas alavancam outros como o artesanato e o escolar. “O Natal é o nosso segundo melhor momento em vendas, recebemos toda a fa-mília… É mágico”, confessa Sara. A Baiuca acompanha todas as datas sazonais, trabalhando com um grande mix de produtos de janeiro a dezembro, e promove todas as datas comemorativas do ano.

A papelaria tem 30 colaboradores que recebem treinamento sistematicamente (normalmente, às 7h da manhã) numa sala própria para isso na loja. Os temas são divulgados com antecedência e todos podem se organizar para participar. “Eles são meus parceiros, fazem nosso dia a dia acontecer. Invisto sempre no melhor relacionamento possível com todos: funcionários, representantes, fornecedores e empresários do setor. Essa troca me faz me manter viva”, pondera a empresária. “A internet é um concorrente forte, mas o relacionamento humano é insuperável”, defende.

A Baiuca apoia ações sociais como o projeto Meias do Bem.

A Baiuca está envolvida em alguns projetos sociais na cidade, como o Meias do Bem, que consiste em recolher meias usadas, enviar para a capital e, depois, receber de volta cobertores para distribuir na cidade. Ela ainda é líder da iniciativa O Bazar do Desapego, projeto com seus companheiros do Rotary Club, do qual é sócia-fundadora: toda a renda do bazar é destinada a entidades da cidade. Sara também faz questão de acompanhar a rotina de dois filhos menores, faz academia, canto erudito e, recentemente, passou a frequentar aulas de inglês porque, em uma viagem, se deu conta de que estava desatualizada. “Toda pessoa precisa diversificar suas atividades, o seu dia a dia, tendo outras conexões, outras redes de contato que nos proporcionam boas energias, para podermos jogar no nosso trabalho”, aconselha.

A fundadora da Baiuca identifica a expansão do negócio como o momento mais crítico que já passou. “Eu queria uma loja maior, diversificar o mix, ter mais qualidade. Bateu o medo, mas acreditei que havia público, que o consumidor tem bom gosto, que há pessoas que têm condições de comprar bem. Estava me mudando para uma rua escura, uma quadra um pouco apagada, mas, depois que fomos para lá, os outros empresários seguiram. Fé em si. Eu sei trabalhar. Tenho ótimos parceiros. O medo faz parte, mas é a questão de acreditar”, lembra.

Vendedora nata, Sara não pensa duas vezes antes de indicar do que não abre mão: o atendimento com o consumidor final. “O balcão é fundamental. No volta às aulas, eu sou vendedora. Meu estoque já está montado, eu tenho é que vender. É uma busca constante de aprendizado”, resume a empresária.

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