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Varejo

Parceria e profissionalismo entre mãe e filha

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Com bom humor, conhecimento e cumplicidade da equipe, papelaria na capital cearense busca bom posicionamento no mercado com visibilidade via redes sociais

A poucos metros de uma avenida movimentada, a Pontes Vieira, entre o Centro e bairros de classe alta, chega-se a São João do Tauape, bairro do subúrbio de Fortaleza, no Ceará, que carrega traços de cidade do interior. Lá, muita gente se conhece. Os moradores são antigos e preservam a tradição de cumprimentar os vizinhos na rua e até quem está apenas de passagem. O bairro é cercado de pequenos comércios, que carregam tradições familiares. A Papelaria Pelicano (@pelicanopapelaria) é um desses locais. O desafio da atual gestora, Cinthya Maria Mateus, é inovar com o uso de tecnologias, como as redes sociais.

O negócio começou há 23 anos com a comerciante e mãe de Cinthya, Fátima Maria Mateus. No endereço, funcionava uma pequena loja de importados da irmã dela, que tinha pouca demanda de clientes. Fátima decidiu comprar e transformar em uma papelaria, tipo de varejo em alta na ocasião. Com o passar do tempo, ganhou o interesse da filha Cinthya, atualmente com 38 anos, “pela necessidade de administrar o negócio da família”. A herdeira é formada em educação física e design, mas busca se especializar na área de negócios. Para isso, fez pós-graduação em gestão comercial e cursa MBA em mercado de consumo.

Os clientes da papelaria são moradores do bairro, estudantes de escolas próximas, comerciantes e pessoas que chegam de longe por conta do serviço de cobertura de capas em livros escolares, que custa a partir de R$ 3,00. De 1996 para cá, muitos têm sido os desafios para mãe e filha, a começar pela ampliação do ponto comercial.

A papelaria comercializa material escolar, produtos de artesanato, embalagens, artigos de armarinho e material de escritório, considerado o forte da empresa. “Foi necessário abrir o leque de vendas com produtos para escritório. Caso contrário, o negócio teria desandado”. A diversidade de produtos é o diferencial e o atrativo para os clientes.

Mas era preciso ampliar o negócio, algo que está sendo feito aos poucos, com a contratação de arquitetos, incluindo mudança da fachada da loja. “Tivemos ajuda de amigos que confiaram na nossa proposta, no desejo de ampliação. Fizemos pesquisa de mercado para saber se era viável e tivemos resiliência, acima de tudo”, enfatizou Cinthya. A matriarca, Fátima, completou dizendo que contam também com o apoio dos funcionários. “Quando temos dificuldades em relação às tomadas de decisão, reunimos a equipe e debatemos. Essa união nos faz crescer, dando um passo de cada vez. Mas todos juntos”, disse.

Entre os desafios atuais está a atuação dos atacadistas, que viraram varejistas. “Essa questão ainda não está superada. O preço que o atacadista oferece é bem mais em conta. Mas buscamos vencer esse obstáculo deixando de comprar do atacadista e comprando mais do fabricante”, ressalta Cinthya. Segundo a comerciante, outra dificuldade enfrentada pelas empresárias se deu em 2015, quando escolas particulares de Fortaleza começaram a vender material escolar. Para sorte do mercado, houve reclamações de pais de alunos que ficaram insatisfeitos com a imposição de alguns produtos considerados supérfluos. Então, os órgãos de proteção ao consumidor saíram em defesa e o ramo da papelaria pôde respirar um pouco mais aliviado.

Curiosidade:

O nome da papelaria não foi por acaso. Fátima Mateus se inspirou na história do pássaro aquático. A ave possui uma bolsa na garganta que utilizava para alimentar os filhos. Fofo, não é?

Na Pelicano os serviços gráficos têm participação importante nos negócios ao lado do mix tradicional da papelaria.

Tecnologia para expandir os negócios

Por falar em vencer desafios, o que impulsiona essa dupla de empreendedoras é a clientela fiel e a possibilidade de transformar o negócio por meio da tecnologia. Atualmente no setor de compras e marketing da papelaria, Cinthya planeja expandir os negócios com a ampliação da loja, projeto já em andamento, e o e-commerce, onde o cliente escolhe o produto e passa na loja para buscá-lo.

O primeiro passo para entrar na era digital já foi dado, com a utilização das redes sociais, principalmente o Instagram @pelicanopapelaria e o Facebook. “Acredito que as redes sociais estimulam esse desejo de consumo. Também é uma maneira de atrair um público mais jovem. Quando postamos um produto, várias pessoas estão avaliando, é tudo muito rápido. É necessário aderir às redes pela sobrevivência da equipe, para acompanhar a demanda de mercado.”, salienta Cinthya.

Devido à sazonalidade, com períodos de baixo movimento geralmente em junho, julho, novembro e dezembro, a empresa oferece também serviços de gráfica, produzindo materiais como cartões de visita, criação de artes e impressões, o que representa 30% do faturamento.

Questionada se abriria uma papelaria hoje, para surpresa, a resposta de Cinthya foi não. “Se fosse montar um negócio hoje seria mais voltado para gráfica, por exemplo, com material mais personalizado para os clientes”. Para ela, que tem como referência a Papelaria Ipanema Papéis, no Rio de Janeiro, a dica para quem está no ramo é diversificar e investir na variedade de marcas que estão se modernizando.

Conheça + a PapelariaPelicano

Endereço: Rua Monsenhor Salazar, 1.399, lojas 1 e 2, bairro São João do Tauape | Cidade: Fortaleza, CE | Fundação: 1996 | Funcionários: 8 | Região que abrange: região central de Fortaleza. | Área: 197 m2 | Serviços oferecidos: venda de material de escritório, escolar, artesanato, armarinho e embalagens. Possui também uma gráfica. | Perfil do cliente: estudantes das escolas próximas e moradores do bairro. | Tíquete médio: entre R$ 3 e R$ 52 | Número médio de itens: 4 mil | Área de venda: 100 m2 | A vitrine precisa ter: presentes | Produtos mais vendidos: escritório | Melhores fornecedores: Casa Bachá | Produto que gostaria de trabalhar: bolsas e mochilas | O que precisa ser discutido no mercado: concorrência entre varejistas e atacadistas em relação ao preço.

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