CARREGANDO

Escreva para pesquisar

Artes e artesanato

Por onde começar?

Compartilhe

Artesanato movimenta R$ 50 bilhões por ano no Brasil e papelarias intensificam investimento nesse mercado

As técnicas artesanais eram, até 2015, consideradas atividades amadoras e não profissionais, porém, com a crise que se estabeleceu no Brasil nos últimos anos e com o crescimento da indústria criativa, a atividade passou a ser a principal fonte de renda de muitos brasileiros. Há quatro anos, o artesanato é considerado uma atividade profissional formal, tendo, inclusive, um programa governamental que regula essa atividade em todo país, o Programa do Artesanato Brasileiro (PAB).

A atividade econômica vem crescendo a cada ano no Brasil. Segundo o IBGE, ela movimenta em torno de R$ 50 bilhões por ano no país. Já são 8,5 milhões de pessoas que fazem do artesanato a principal atividade geradora de renda familiar, 77% dos das quais são mulheres, em sua maioria, na faixa etária entre 44 e 54 anos.

De olho nesses dados, o mercado de papelaria começa a entender as necessidades do novo empreendedor e a investir oferecendo produtos, matéria-prima e qualificação. Exemplo disso é a Caçula Papelaria, rede carioca de lojas que é organizadora do evento Rio Artes Manuais, um dos principais do setor, que atrai milhares de artesãos. Para o gerente de marketing da Caçula, Roberto Santos, mesmo as pequenas papelarias também podem e devem investir no nicho estratégico para o setor.

“Para começar, deve-se buscar os produtos mais básicos como pincéis, tintas, caixas de MDF, linhas de crochê, bordado e tricô, insumos para decupagem, scrapbook, visto que os outros acessórios para prática do artesanato já fazem parte do mix da papelaria: lápis, cola, canetas, papéis etc.”, orienta Roberto.

Além de ter os produtos disponíveis na loja, a disposição deles deve ser estratégica. Segundo o profissional, o lojista não deve expor somente os materiais para executar o artesanato. “Mostrar peças de artesanato prontas motiva os clientes a começar a praticar artesanato. Expor peças e panos de pratos, caixas de MDF já decoradas com decupagem ou peças em tricô e crochê é fundamental para a divulgação do negócio e aumento nas vendas”, explica.

Além de produtos
Mas não só de produtos vive esse mercado. É importante que o papeleiro desenvolva ações em parcerias com seus fornecedores. Independentemente do tamanho da loja, oferecer pequenos cursos e workshops é uma estratégia importante, estar por dentro das tendências e investir na comunicação desses eventos na comunidade pode atrair novos clientes e incentivar as vendas.

“É preciso começar com as técnicas que têm boa procura, principalmente trabalhos e peças de artesanato do segmento decorativo e utilitário. Depois, pode-se investir no artesanato mais artístico. Há também o nicho dos brinquedos educativos que chamam atenção de crianças e jovens, como os slimes e os letterings, que são atividades de artes manuais”, orienta o gerente de marketing da Caçula.

Para ele, o atual cenário brasileiro com desafios na oferta de emprego é um indicador dos motivos que fazem o segmento de artesanato crescer a cada ano. “O trabalho formal está cada vez mais escasso no país e cada vez mais pessoas vão buscar empreender para gerar renda. O artesanato é uma atividade de fácil aprendizado, os insumos são de baixo custo e pode ser produzido na própria residência, tendo como mão de obra as pessoas da própria família. O país caminha para o empreendedorismo familiar”, analisa Santos.

O executivo faz uma analogia para evidenciar o potencial do artesanato para as papelarias. “Há 20 anos, as pessoas paravam nos postos de gasolina apenas para abastecer, trocar óleo e encher o pneu. Hoje, esses postos se transformaram num estabelecimento de conveniência. As pessoas param para fazer um lanche, comprar jornal, alimentos e bebidas. Os papeleiros precisam transformar suas lojas em estabelecimentos de conveniência, e o artesanato tem todos os ingredientes para isso”, defende Roberto Santos.

A cultura do artesanato
As artes manuais estão muito ligadas à cultura de um povo, a tradições históricas, familiares. Em tempos antigos, antes da Revolução Industrial, o fazer artesanal era uma das poucas formas de se expressar e criar soluções para o dia a dia.
No Brasil, os índios são referência na tradição do artesanato. A eles é atribuído o compartilhamento das técnicas de tecelagem, a pintura, a arte plumária, a cestaria, a cerâmica, entre outras atividades. Tradições artesãs passaram a ser praticadas por toda a sociedade, sofreu mudanças e adaptações culturais de povos diversos ao longo dos anos e hoje é uma prática comum e geradora de renda de muitos brasileiros.
Diferenciais como exclusividade, personalização e produção em pequenas quantidades são características atraentes para a venda do trabalho artesanal. Alguns produtos podem não se repetir, técnicas renovadas e aperfeiçoadas.

Capacitação e Conexões
A Rio Artes Manuais, promovida pela Caçula, chega à 14ª edição no Rio de Janeiro e promete movimentar o setor de artesanato. O evento acontecerá entre os dias 18 e 22 de março de 2020 no Centro de Convenções SulAmérica e tem como objetivo promover a conexão do artesanato com o digital por meio de negócios.
A feira contará com mais de 50 expositores e espera receber mais de 27 mil visitantes. Além disso, oferecerá 20 mil vagas aos que desejarem aprender ou se aprimorar em mais de 250 técnicas de artesanato. Inscrições disponíveis em www.rioartesmanuais.com.br

“Os papeleiros precisam transformar suas lojas em estabelecimentos de conveniência, e o artesanato tem todos os ingredientes para isso”

Roberto Santos, Caçula